• História dos Correios no Mundo

                                                   A HISTORIA DO CORREIO NO MUNDO
           As Diversas Faces do Carteiro: " Lá vem o correio ! " É assim que muitas vezes se anuncia o carteiro, a figura mais popular de todo o Serviço Postal. Aproximadamente meio milhão de carteiros põem-se a caminho todos os dias no mundo inteiro, seja a pé ou por qualquer outro meio de transporte. Antigamente, o carteiro era chamado de mensageiro e de correio. Todavia, quais foram suas atividades durante os séculos?
Os Mensageiros da Antiguidade:

          O mais antigo documento postal que se tem notícia, é um PAPIRO encontrado em Hibeh, datado de 255 a.C., contém informações sobre a forma de como era organizado o Serviço Egípcio de mensageiros. Um "empregado de correio" egípcio acrescentou ainda detalhes sobre o encaminhamento da correspondência, o número de mensageiros em serviço, o gênero de objetos enviados, bem como informações sobre seus destinatários. Como na maioria dos casos, o destinatário mencionado era  o faraó ou seu ministro de finanças, pode-se concluir que o serviço dos mensageiros não podia ser utilizado por particulares. A administração mantinha estreitas relações com todas as províncias do reino, mesmo as mais afastadas. Eis porque tinham os mensageiros que perfazer longas caminhadas a pé. Um antigo documento datado de 2300 a.C. chega a precisar que os mensageiros da época, receando morrer durante a jornada, legavam muitas vezes seus bens aos filhos antes de empreender a viagem. Mesmo quando voltavam, não lhes restavam muito tempo para passar ao lado dos seus, pois o serviço do faraó não podia sofrer atraso ou demora. Acredita-se que os persas tenham sido os primeiros a recorrer aos cavaleiros para a transmissão  de notícias. Ciro, o Grande ( 558-528 a.C.), que pretendia manter contato regular com os governadores das províncias, calculou ele mesmo as distâncias diárias que cada cavaleiro que cada cavaleiro devia percorrer.
           Mandou construir postos de descanso com diferença de um dia de viagem entre um e outro; assim, quando um mensageiro chegava a um desses postos com uma encomenda urgente era imediatamente substituído por um colega. Este serviço de estafetas era mantido mesmo durante a noite. Para tanto, necessitava-se principalmente de boas estradas. Um percurso militar de 2.500 quilômetros de extensão, entre o Mediterrâneo e o Golfo Pérsico, ligava Sardes, a cidade residencial do rei, a Susa, capital. Esta estrada mantinha três paradas. Uma caravana precisaria de 90 a 100 dias para cobrir esta distância, mas os correios do rei levavam apenas de 8 a 10 dias. Para estar certo de que uma mensagem chegaria ao seu destino, lançava-se mão, na época, dos meios mais singulares para transmissão das notícias.
          Heródoto narra o seguinte fato: Hárpagos, parente do rei dos Medas, teve a idéia de costurar uma carta na barriga de um coelho que ele enviou a Ciro por intermédio de um de seus servidores disfarçado de caçador. Este último fora encarregado de dizer a Ciro que abrisse o coelho com suas próprias mãos e fora das vistas de qualquer  presença humana. E a correspondência chegou ao seu destinatário.
          Na Grécia antiga, devido à pequena extensão do país, à sua fragmentação em estados minúsculos, à mediocridade das estradas e às dificuldades do terreno, era impossível e mesmo desnecessário manter um serviço de mensageiros permanente.
 Desenvolveu-se, então, um comércio marítimo facilitando a troca de notícias que, na maioria das vezes, eram transmitidas oralmente. As questões políticas e militares exigiam também a utilização de mensageiros ou "hemeródromos" (homens que corriam durante o dia) que iam mais depressa do que os cavaleiros em terreno acidentado. Diz  Heródoto que o hemeródromo Fídipes conseguiu, em dois dias, fazer o trajeto entre Atenas e Esparta (aproximadamente 230 quilômetros).
           A extensão do Império Romano exigiu a organização da transmissão de notícias e sua permanente adaptação. O "cursus publicus", que era o correio romano, servia antes de tudo, às necessidades dos poderes públicos. Foram construídas estações fixas, a intervalos regulares, onde se revezavam os mensageiros a pé e onde os cavaleiros podiam encontrar novas montarias.
          Na melhor das hipóteses, um mensageiro percorria, por dia 70 quilômetros a pé ou 200 quilômetros a cavalo. De uma maneira geral, ficava mais fácil acomodar-se a uma certa demora do que recorrer a mensageiros "expressos".
          Era particularmente perigoso enviar mensagem em épocas de guerra civil. Quando se interceptava um mensageiro, era costume, privá-lo do uso da mão cortando-lhe o polegar.

         As cartas dos romanos eram feitas de pequenas tábuas de madeira, sendo um dos lados oco e recoberto de cera sobre a qual se escrevia com um estilete de osso ou metal. Duas placas amarradas de forma a proteger os lados cobertos de cera formavam a  carta, que tinha a madeira como envelope, proteção e  base para a cera e a mensagem escrita.
         Certos mensageiros podiam garantir o transporte simultâneo de um grande número de cartas; eles se revezavam na estrada e encarregavam-se de remessas coletivas que depositavam em locais previamente combinados.
         Ora, acontecia do mensageiro abrir uma carta, ou  por curiosidade ou por instigação de um inimigo de seu senhor, apesar do segredo da correspondência já ser considerado inviolável mesmo na Antiguidade. Assim, era necessário tomar toda espécie de precauções para impedir que terceiros tomassem conhecimento da notícia a ser transmitida.
         Na China, à época dos Tchu (1.122-222  a.C.), o correio atendia exclusivamente à corte imperial. Este serviço dispunha de 80 mensageiros. Nos grandes eixos do país, encontravam-se se a cada  cinco quilômetros nos postos de revezamento e a cada quinze quilômetros em verdadeiras pousadas. Mais tarde, já sob a dinastia Tang ( 618-905 d.C.), uma viatura de correio comum percorria uns 150 quilômetros diários, mas o correio que transportava uma mensagem real importante chegava a percorrer 250 quilômetros por dia, trocando frequentemente de cavalo. O correio chinês era, portanto, chamado de "correio voador".
Os Mensageiros da Idade Média
         Após a desintegração do Império Romano, o Islã chegou a construir, durante alguns séculos, um império que se estendeu da Pérsia à Arábia ao Marrocos e à Espanha. Neste império de Califas, os árabes confrontaram-se, numa primeira instância, em retomar as organizações postais de seus predecessores e em adaptá-las às suas próprias necessidades. Procedeu-se à edificação de paradas nas estradas principais à distâncias que variavam de acordo com o estado do terreno.
Nessas paradas, os mensageiros tinham à sua disposição; mulas e camelos. As notícias menos urgentes eram levadas por mensageiros a pé, ricamente remunerados e munidos de um passaporte especial, que consistia numa "tabuinha" com a fórmula consagrada do sultão reinante.
         No império sul-americano dos incas, os "chasqui" (corredores a serviço do correio) eram escolhidos entre os jovens. Cada um deles só trabalhava três meses durante o ano. Vestiam um uniforme que os  diferenciava do resto da população e alojavam-se em pequenas pousadas construídas ao longo das grandes estradas, a uma distância que variava entre 2 e 6 quilômetros.
         Dois mensageiros montavam guarda à porta dessas pousadas dia e noite. Um vigiava a estrada à sua esquerda e o outro à direita. Quando apontava um mensageiro, o substituto ia ao seu encontro. Os dois corriam lado a lado até que o mensageiro-substituto soubesse de cor a mensagem oral que lhe era transmitida e pudesse repeti-la sem erro.
         Na China, a dinastia dos Sung (960-1.276 d.C.), testemunhou a passagem do serviço forçado ao alistamento remunerado. Os correios ou carteiros eram divididos em três classes: mensageiros a pé,  mensageiros montados e correios extraordinários (expressos). O encaminhamento ocasional de cartas particulares já não era então , impossível.
        Quando da dominação dos mongóis (século Xlll e XlV), segundo fontes de Marco Polo; havia perto de 10.000 postos de correio e o serviço de cavaleiros tinha à sua disposição 200.000 cavalos.         Os correios montados, portadores de mensagens do imperador, tinham que trocar rapidamente de cavalo. O declínio dos grandes impérios da Antiguidade deixara a Europa Continental sem meios de transporte oficiais ou organização postal regulamentada. Cada um devia resolver por si só o problema de encaminhamento das notícias. Durante o reinado carolíngio e o império de Carlos Magno pouco depois (768-814), surgiram alguns meios oficiais de encaminhamento que foram efêmeros e pouco seguros. Todavia, foi a partir do século Xll, com o desenvolvimento das cidades e a abertura de relações comerciais com outros povos, que o envio de mensagens tomou verdadeiro impulso. Os conventos espalhados por toda a Europa, mantinham entre si e Roma, uma troca ativa de correspondência e de bens por intermédio de monges e de irmãos leigos viajando principalmente a pé. Este foi o início do que se convencionou chamar de "correio de monges". Os monges-mensageiros, que tinham a reputação de ser particularmente seguros, encaminhavam missivas oficiais e privadas. Levavam um rolo de pergaminho sobre o qual cada convento anotava
as notícias de interesse geral e a data de chegada do mensageiro.  

As universidades fundadas do século Xll em diante mantinham mensageiros encarregados de manter o contato entre os estudantes e suas famílias e de transportar cartas, dinheiro, roupas e convites. A Universidade de Paris, onde funcionava um excelente "serviço de mensagens", serviu de modelo às universidades de outros países da Europa. Seus mensageiros asseguravam também o transporte da correspondência entre os professores.
         Os mercadores que viviam pelas feiras e mercados, provinham às suas próprias trocas de cartas e encarregavam-se de entregar as mensagens de seus correspondentes. Nos grandes centros comerciais, os mercadores costumavam contratar mensageiros para encaminhar as informações necessárias a seus negócios. Esses mensageiros trabalhavam inicialmente sob encomenda, mas, pouco depois, foram contratados para percorrer distâncias estipuladas. Entre as alianças germânicas e os diversos países da Europa estabeleceu-se então um contato permanente e regular com Grandes casas comerciais, como a dos Fugger de Augsbourg, mantinham relações com os grandes centros comerciais da época através de mensageiros particulares. Graças à rapidez desses últimos, os comerciantes ficavam a par das notícias políticas dias e até mesmo semanas antes do imperador. Neste caso, eles lhes davam as informações esperando poder contar em troca com a sua proteção.
         O Estado constituído pelos cavaleiros da Ordem Teutônica na Prússia Oriental e Ocidental, no século Xlll, começou a usar o "correio dos monges". Tendo em vista a imensidão do país subjugado, a Ordem, em pouco tempo, sentiu necessidade de seu próprio serviço de mensageiros; em cada uma das casas da Ordem, um irmão ficava encarregado do envio, do recebimento e da reexpedição de cartas. As funções de mensageiro eram preenchidas por pagens nobres que iam a cavalo levando a mala de cartas até a próxima casa da Ordem e transportando-a no sentido inverso. Cada entrega era anotada numa ficha que eles devolviam ao seu ponto de partida. Este serviço desapareceu em 1.535 na derrocada geral dos cavaleiros teutônicos.
Até muito tempo depois da Idade Média, os habitantes das cidades só podiam encaminhar encomendas quando eles mesmos contratavam o serviço de mensageiros ou quando recorriam a organizações particulares. A correspondência oficial era entregue ao escrivão municipal ou a um burguês digno de confiança. Com o tempo, as cidades começaram a organizar seus próprios serviços. O nascimento desses últimos remonta ao século Xlll; nos séculos XV e XVl já havia uma extensa rede de mensageiros cobrindo os países da Europa Central e Ocidental. No início, o serviço consistia unicamente em enviar mensageiros apenas quando houvesse necessidade. Os mensageiros juravam dar conta fielmente de seus serviços. Pelas crônicas da época, pôde-se concluir que eles eram frequentemente advertidos para não romper ou falsificar os lacres das cartas e para não abrir as remessas de dinheiro. As cidades editaram regulamentos estabelecendo direitos e deveres dos mensageiros, salário, tempo de partida, duração da viagem, bem como os dispositivos gerais referentes aos itinerários e às tarifas.
           Na Itália e na Espanha, os mensageiros se constituíam em corporações que instavam junto ao  poder real apenas para julgar divergências que elas não podiam resolver sozinhas. Em 1.305, criou-se em Veneza uma "Compania dei corrieri della Illlustríssima Signoria ", composta de 32 membros. Algumas confrarias semelhantes surgiram em Nápoles, no Vaticano e em outras cidades. Singular é o fato de que essas corporações eram formadas quase que exclusivamente por famílias da região de Bérgamo. Foi assim que apareceu pela primeira vez o nome dos  Taxis, originários de Cornello, que mais tarde iriam desempenhar importante papel na história dos  correios. Quando o tráfego de mensageiros atingiu seu ponto culminante (século Xlll), começou-se a edificar nas estradas mais importantes, postos onde cada um podia alugar cavalos. Esta organização assemelhava-se bastante ao antigo "Cursus publicus " dos romanos. A denominação latina "posita statio " (estação fixa) deu origem à palavra italiana "posta" e à francesa "posta " de onde vem "posta" (correio" em português e por extensão, "postal"_ termos hoje Universalmente conhecidos.

Tradução da obra "Correio - laço universal entre os homens ", (Publicação de Vie-Art-Cité Lausanne, por ocasião do centenário da União Postal Universal -1974).
                            

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