A HISTORIA DO CORREIO NO MUNDO 02
                                                             
          As cartas dos romanos eram feitas de pequenas tábuas de madeira, sendo um dos lados oco e recoberto de cera sobre a qual se escrevia com um estilete de osso ou metal. Duas placas amarradas de forma a proteger os lados cobertos de cera formavam a  carta, que tinha a madeira como envelope, proteção e  base para a cera e a mensagem escrita.

         Certos mensageiros podiam garantir o transporte simultâneo de um grande número de cartas; eles se revezavam na estrada e encarregavam-se de remessas coletivas que depositavam em locais previamente combinados.
         Ora, acontecia do mensageiro abrir uma carta, ou  por curiosidade ou por instigação de um inimigo de seu senhor, apesar do segredo da correspondência já ser considerado inviolável mesmo na Antiguidade. Assim, era necessário tomar toda espécie de precauções para impedir que terceiros tomassem conhecimento da notícia a ser transmitida.

         Na China, à época dos Tchu (1.122-222  a.C.), o correio atendia exclusivamente à corte imperial. Este serviço dispunha de 80 mensageiros. Nos grandes eixos do país, encontravam-se se a cada  cinco quilômetros nos postos de revezamento e a cada quinze quilômetros em verdadeiras pousadas. Mais tarde, já sob a dinastia Tang ( 618-905 d.C.), uma viatura de correio comum percorria uns 150 quilômetros diários, mas o correio que transportava uma mensagem real importante chegava a percorrer 250 quilômetros por dia, trocando frequentemente de cavalo. O correio chinês era, portanto, chamado de "correio voador".
                                      Os Mensageiros da Idade Média

         Após a desintegração do Império Romano, o Islã chegou a construir, durante alguns séculos, um império que se estendeu da Pérsia à Arábia ao Marrocos e à Espanha. Neste império de Califas, os árabes confrontaram-se, numa primeira instância, em retomar as organizações postais de seus predecessores e em adaptá-las às suas próprias necessidades. Procedeu-se à edificação de paradas nas estradas principais à distâncias que variavam de acordo com o estado do terreno.
Nessas paradas, os mensageiros tinham à sua disposição; mulas e camelos. As notícias menos urgentes eram levadas por mensageiros a pé, ricamente remunerados e munidos de um passaporte especial, que consistia numa "tabuinha" com a fórmula consagrada do sultão reinante.

         No império sul-americano dos incas, os "chasqui" (corredores a serviço do correio) eram escolhidos entre os jovens. Cada um deles só trabalhava três meses durante o ano. Vestiam um uniforme que os  diferenciava do resto da população e alojavam-se em pequenas pousadas construídas ao longo das grandes estradas, a uma distância que variava entre 2 e 6 quilômetros.
         Dois mensageiros montavam guarda à porta dessas pousadas dia e noite. Um vigiava a estrada à sua esquerda e o outro à direita. Quando apontava um mensageiro, o substituto ia ao seu encontro. Os dois corriam lado a lado até que o mensageiro-substituto soubesse de cor a mensagem oral que lhe era transmitida e pudesse repeti-la sem erro.

         Na China, a dinastia dos Sung (960-1.276 d.C.), testemunhou a passagem do serviço forçado ao alistamento remunerado. Os correios ou carteiros eram divididos em três classes: mensageiros a pé,  mensageiros montados e correios extraordinários (expressos). O encaminhamento ocasional de cartas particulares já não era então , impossível.

         Quando da dominação dos mongóis (século Xlll e XlV), segundo fontes de Marco Polo; h avia perto de 10.000 postos de correio e o serviço de cavaleiros tinha à sua disposição 200.000 cavalos. Os correios montados, portadores de mensagens do imperador, tinham que trocar rapidamente de cavalo. O declínio dos grandes impérios da Antiguidade deixara a Europa Continental sem meios de transporte oficiais ou organização postal regulamentada. Cada um devia resolver por si só o problema de encaminhamento das notícias.
         Durante o reinado carolíngio e o império de Carlos Magno pouco depois (768-814), surgiram alguns meios oficiais de encaminhamento que foram efêmeros e pouco seguros. Todavia, foi a partir do século Xll, com o desenvolvimento das cidades e a abertura de relações comerciais com outros povos, que o envio de mensagens tomou verdadeiro impulso.

         Os conventos espalhados por toda a Europa, mantinham entre si e Roma, uma troca ativa de correspondência e de bens por intermédio de monges e de irmãos leigos viajando principalmente a pé. Este foi o início do que se convencionou chamar de "correio de monges". Os monges-mensageiros, que tinham a reputação de ser particularmente seguros, encaminhavam missivas oficiais e privadas. Levavam um rolo de pergaminho sobre o qual cada convento anotava as notícias de interesse geral e a data de chegada do mensageiro.
 

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